A médica especialista em endocrinologia Morgada Coelho encorajou, ontem, em Luanda, o Executivo a apostar na criação de um Observatório Nacional para identificação e diagnóstico da diabetes mellitus.

A vice-presidente da Sociedade de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo (SAEDM) disse ontem, por ocasião do Dia Mundial da Diabetes, assinalado quinta-feira, 14, que a patologia é um grave problema de saúde pública, vista como pandemia desde o século XX, daí a necessidade da criação de um Observatório Nacional.
Para a especialista, o actual Recenseamento Geral da População e Habitação 2024, a decorrer em todo o país, é uma oportunidade para os serviços de Saúde, por meio dos hospitais provinciais, municipais e centros de saúde, realizarem um estudo epidemiológico mais abrangente.
“Com estás estatísticas, teríamos informações sobre quantos diabéticos existem, a distribuição etária, o sexo, grupos de risco e pré-diabéticos, assim como o grau de acompanhamento destes”, explicou.
A criação do Observatório Nacional, acrescentou, traria, igualmente, dados suficientes que ajudariam a colmatar situações de indicadores positivos, além de ajudar no rastreio de eventuais complicações como a retinopatia diabética, assim como permitiria diminuição dos episódios do pé diabético e amputações.
Morgada Coelho defendeu, ainda, a comparticipação dos medicamentos para os doentes diabéticos. “A aquisição de medicamentos e a boa alimentação têm sido um dos maiores problemas dos pacientes diabéticos e por isso, para muitos deles, as complicações da doença chegam mais cedo devido ao mau controlo glicometabólico”, referiu.
Sobre a doença
A diabetes, esclareceu, é uma síndrome metabólica de origem múltipla, decorrente da falta de insulina ou da capacidade da insulina de exercer adequadamente o efeito. De acordo com a médica, a diabetes é um assassino silencioso e muitas pessoas com a doença não têm consciência dela. Por isso, frisou, realizar exames regulares é obrigatório.
A especialista em endocrinologia defende, também, uma maior união de esforços na partilha do conhecimento, na colaboração e promoção de ajuda às pessoas com diabetes para viverem mais com saúde.
“A Organização Mundial da Saúde pressupõe que Angola tenha 1.8 milhão de pessoas a sofrerem de diabetes mellitus, sem contar com os casos não registados”, avançou, acrescentando que os pacientes não identificados correm o risco de ter complicações tardias, incluindo a cegueira, insuficiência renal, ou mesmo passar por amputações e desenvolver doenças cardiovasculares.
A diabetes, afirmou, é uma doença com elevados custos humanos, sociais e económicos, por isso, que pode ser prevenida se precocemente diagnosticada e melhor tratada. “Mas para tal, deve-se desenvolver programas de prevenção, diagnóstico precoce e controlo”.
Fonte: JA
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