“Se o objectivo for o lucro não estamos a fazer um trabalho para Deus”

“Ambiente gospel – mercantilização da fé ou busca de alternativas para a sustentabilidade do ministério de louvor”, foi o primeiro de quatro debates que o Praiseart e o portal Arautos da Fé, realizam desde o primeiro dia de setembro, no pátio da universidade Metodista de Angola.

Série de debates sobre o estado da música cristã acontece até 6 de outubro no pátio da Universidade Metodista de Angola.

Série de debates sobre o estado da música cristã acontece até 6 de outubro no pátio da Universidade Metodista de Angola.

 

Ao abortar o tema, o Pastor Ovídio de Freitas, reconheceu que a nova geração de músicos “tem feito um trabalho notável” dentro da Igreja. “Estou em crer que o objectivo primário é levar a Palavra de Deus, porque se o objectivo for buscar o lucro, não estamos a fazer um trabalho para Deus”.

Defendeu ser necessário que o músico cristão seja acompanhados por um Pastor ou pessoa idónea, que o ajude a regular a sua actividade e contou ter testemunhado momentos em que num só dia músico cantou em em mais de duas igrejas. “Isso é errado”, afirmou, acrescentado que o músico chega numa igreja, interrompe a liturgia para cantar e divulgar o seu trabalho, porque tem outras agendas.

E por vezes, lamentou, o ofertório ainda não aconteceu e o músico anuncia que tem discos à venda sem concertar com a direcção da igreja. Num dia como esse, frisou, as ofertas da igreja se tornam fracas porque o membro deixa de ofertar e vai comprar disco. O ideal, aconselhou, é fazer o culto numa só igreja, respeitar a liturgia e observar as orientações da igreja. Se o altar for usado para o comércio, alertou, pode acontecer que um dia um irmão que vende chinelos, vai se sentir no direito de anunciar o seu produto como o faz o músico. 

Mestre Mateus Júnior e Pastor Ovídio de Freitas

Mestre Mateus Júnior e Pastor Ovídio de Freitas

 

Na mesma linha de pensamento está o Pastor Maiomona Afonso, que observou que apesar do Evangelho ser de graça, existem custos para leva-lo as pessoas.

Manter o trabalho missionário tem custos, mas o propósito não pode ser o lucro, exortou o Pastor que lamentou o facto de muitas igrejas não suportarem os seus músicos. 

 O professor Armando Zibungana, disse que tem havido mal interpretação do versículo que diz “de graça recebeste, de graça dai”. O Evangelho, referiu, é de graça mas custou a descida do filho de Deus, a sua morte na cruz e o seu sangue.

A formação musical, afirmou, é das mais caras e os equipamentos muito caros. Para ilustrar, falou do preço de um teclado que pode chegar aos 3.000 Euros e um computador “para o exercício da actividade musical” que pode custar cerca de 2.000 Euros.

Pastor Maiomona Afonso e o prof. Armando Zibungana.

Pastor Maiomona Afonso e o prof. Armando Zibungana.

 

Outro professor de música que participou no debate, Mateus Júnior, lembrou que os músicos da Casa do Senhor “nos tempos bíblicos”, eram instruídos no canto e “todos” eram mestres. Naqueles tempos, sublinhou, os músicos eram pagos.

A bíblia, lembrou, diz “Buscai primeiro o Reino de Deus e tudo o resto vos será acrescentado”, mas hoje, deplorou, “queremos buscar primeiro os restos”. 

 

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