Mercado gospel em balanço: temos mais músicos, nem por isso mais qualidade

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Vista lateral do Cine Atlântico, concerto Sarau Gospel

O crescimento quantitativo do mercado da música gospel, é notado sem necessidade de fazer recurso a uma lupa. O mesmo não se pode dizer do crescimento qualitativo. Há uma “febre”, todo mundo quer lançar disco, mesmo não tendo amadurecido o suficiente para o fazer. Mas a culpa não fica só com os músicos, os “produtores” também são responsáveis pelos produtos que colocam no mercado. Acabam prejudicando-se a si mesmos, pois se o produto não tem qualidade vende pouco ou não vende, e todo o esforço empreendido pelo músico, produtor, patrocinador, etc, vai por água abaixo. Com certeza não é isso que as pessoas querem, nem é o que o mercado precisa.

Para que o mercado seja forte, para que o Evangelho seja levado a todos os lugares, é necessário apostar na qualidade. Só a qualidade poderá garantir retorno desejado e quiça os músicos e outros interessados poderão investir em programas de evangelização, viajar pelo país a anunciar a boa nova do Senhor.

A qualidade é onerosa, mas necessária para quem desejo ver os frutos do seu trabalho.  

Mas quando se fala de música gospel, não é só a qualidade da música e o talento do/a artista que que são tidos em conta. “Já não estamos na fase de promover a arte gospel simplesmente, mas com a arte que estamos a promover levar a espiritualidade a fim de que as pessoas se convertam através do que nós fazemos.” Disse, e com razão, o Poeta Peterson, numa entrevista que concedeu ao portal Arautos da Fé, há algum tempo.

O que há de qualidade no mercado, é resultado do esforço de artistas/produtoras, que cedo perceberam que não existem atalhos para o sucesso. Fizeram/fazem investimentos na sua capacitação técnica e apostam em trabalhos com profissionais qualificados. O resultado deste “sacrifício” tem a qualidade apreciada pelo público.

O mercado gospel (angolano) é promissor e o crescimento dos evangélicos nos últimos anos está a torna-lo mais atractivo. Os players (produtoras, empresários, etc), devem perceber isso e trazer propostas capazes de seduzir o grande público, para não terem de esperar a chegada dos grandes grupos seculares para o fazerem.

Acabar com o amadorismo patente é condição imprescindível para quem deseja aproveitar as oportunidades que o mercado oferece. A fórmula é simples: Qualidade + Profissionalismo = Sucesso.

Nota

– Ao longo do ano, muitos/as artistas reclamaram da actuação deste profissionais, que não poucas vezes criaram constrangimentos, quando não forçaram o adiamento de concertos. E não poucos concertos.

 A sua importância não precisa ser tema de palestra, acredito que o mais leigo leitor já percebeu que é quase impossível realizar um concerto de música sem a presença destes profissionais. O problema é que o mercado gospel pouco ou nada oferece a este profissionais, que vêm sendo cobiçados pelo mercado secular, que já percebeu que o mercado gospel é uma fonte barata de mão de obra. Também tem faltado ética de alguns profissionais que marcam vários compromissos para um mesmo dia ou que em cima da hora desfazem os seus compromissos, não dando margem de manobras para quem organiza o evento. 

Essa é uma das consequências do “espírito de gratuidade” que ainda reina no segmento gospel. Um evento que tem um custo de produção, por vezes fora do alcance de quem organiza, se não tiver retorno, inviabiliza a atribuição de uma compensação justa aos que nele emprestam o seu saber e a realização de outros eventos. 

Mudança é necessária. É necessário entender a essência do mercado (espaço onde as pessoas oferecem serviços/produtos e esperam retorno para se manterem activas) e começar a trabalhar para a consciencialização do público. A qualidade tem preço, isso todos sabemos. O que parece que nem todos sabem é que é esse preço que precisa ser cobrado para garantir manutenção dos meios e gratificar quem os manuseia.

– 2016 não foi um bom ano para os poetas, sobretudo pela falta de oportunidades, que muito têm reclamado.
Não poucas vezes cruzei-me, em eventos, com poetas e a tônica das conversas, quase sempre a mesma. Os poetas têm sido preteridos, não obstante a poesia ser a base de outras artes.

A reclamação procede, e é necessário que os promotores de eventos a tenham em consideração. Os poetas clamam e é justo que sejam ouvidos e apoiados.

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Vários músicos da nova geração participaram no Sarau Gospel

Eventos
A realização do Sarau Gospel, em outubro, um dos maiores concertos de música gospel deste ano, marcou, sem dúvidas, o início de uma nova fase para a música gospel.

O concerto teve como protagonistas músicos da nova geração, maior parte dos quais sem muita notoriedade no mercado musical, mas que proporcionaram um brilhante espectáculo para alegria da multidão que esteve no Cine Atlântico, local que acolheu o evento. Há sinais de que em 2017 a concorrência no segmento gospel será melhor.

Dois aspectos, sem ignorar outros que poderiam ser identificados por quem lá esteve, pesaram na hora da escolha deste evento com um dos maiores, senão mesmo o maior do ano. O primeiro já apontado anteriormente, protagonistas ainda pouco conhecidos do grande público e o segundo, evento feito com recurso a mídia espontânea (essencialmente redes sociais), quer dizer, sem publicidade (paga), radiofônica ou televisiva, e no final casa lotada. Aumentou a confiança de quem promove eventos e a certeza de que é possível trabalhar com a nova geração e ter resultados positivos, e não depender de artistas “estrelas” que muitas vezes frustram a expectativa de quem organiza e do público que anseia por um bom espetáculo.

O ano também fica marcado pela realização de muitas galas/eventos de premiação para reconhecer o trabalho de personalidades que têm se destacado mundo cristão (música e não só). São bem-vindas e os seus promotores devem ser encorajados a faze-las/os. Também devem ser encorajados, a melhorarem constantemente os processos que resultam nestas premiações, torna-los mais abrangentes, mais transparentes e credíveis.

2017 em perspectiva

Há indicadores que se forem bem aproveitado podem fazer de 2017 um ano próspero. A tecnologia cada vez mais acessível, a informação mais disponível servem de mola impulsionadora para quem deseja resultados positivos em 2017. 

Prudência é aconselhada para quem muito almeja por sucesso. O sucesso é obra do trabalho e Deus abençoa quem trabalha. “Ele é poderoso para fazer que toda a graça lhes seja acrescentada, para que em todas as coisas, em todo o tempo, tendo tudo o que é necessário, vocês transbordem em toda boa obra.  (2 Coríntios 9:8)

TENHA UM 2017 MUITO ABENÇOADO. 

 

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Gil Lucamba

Jornalista, Gestor de Mídias Sociais. Fundador do portal de notícias Arautos da Fé.

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