Cresce o número de adeptos do satanismo nos EUA

Uma organização que saltou de três mil membros para cinquenta mil em apenas três anos é para ser levada a sério? A resposta está com os Serviços de Impostos dos Estados Unidos – IRS – que aceitou as deduções fiscais a todos que resolverem doar dinheiro para o “Templo Satânico”. Essa organização que cultua o diabo passou a ter o mesmo status que as igrejas, sinagogas e mesquitas. Ainda que pareça uma loucura, não é bem assim. É certo que seus seguidores vistam-se de negro, invoquem Satã e usem chifres como adornos, mas não fazem rituais sórdidos e nem sacrificam bebés. E só usam tridentes para limpar as praias e estradas de suas cidades – um dos preceitos do Templo de Satã é a limpeza urbana.

Satanistas

Ser ateu é aborrecido.

Lucien Greaves, fundador do Templo Satânico, diz que “Ser ateu é aborrecido. Não têm uma iconografia e nem uma comunidade com que possa reunir-se”. O que defendem é que ser ateu é uma posição demasiadamente passiva. E também expõe uma visão política: “Nestes momentos de crispação [política], é necessário passar para a acção e lutar pelos direitos de todos”. Simplesmente, colocaram bastante ironia em sua forma de entender o activismo. Defendem a liberdade social e religiosa. Afirmam que não podem ficar inertes nesta era em que atacam os direitos fundamentais dos cidadãos em nome de Deus. Se consideram os maiores provocadores do cada vez mais popular e agressivo discurso ultraconservador.

Organização satanica conta com mais de 3 mil seguidores

Baphomet, o deus de cabeça animal, no Capitólio de Oklahoma.

Um dos maiores exemplos de suas acções provocadoras foi a de construir uma estátua com a figura de Baphomet, o deus com cabeça de bode, e colocar no Capitólio de Oklahoma. A acção foi em resposta à decisão do governo desse Estado de colocar uma enorme estátua com as Tábuas dos Dez Mandamentos. Os seguidores do Templo Satânico dizem que com essa acção, defendem os direitos das minorias religiosas.

 

Satã era relaxado e tolerante?

Desde o ponto de vista dessa organização fundada nada menos que em Salem – a cidade ultra-religiosa que queimou dezenas de mulheres acusadas de bruxaria – a Bíblia nos recorda que Satã era um tipo relaxado e tolerante. “Se Eva não tivesse caído na tentação da maçã, que tipo de vida podia esperar? Uma total servidão e sem liberdade de escolha”, comenta Jex Blackmore, que foi porta voz do movimento pró Satã. A sua versão do tempo que Jesus Cristo passou no deserto também é irónica. Diz o ex-porta voz: “Quando Jesus Cristo passou 40 dias no deserto em jejum, Satã se apresentou a ele e lhe disse: ‘Ei, não precisa fazer isso. Bebe um pouco de água, homem”.

Eles não defendem que cada um possa fazer o que quiser. Seus princípios fundamentais, que são sete, rechaçam toda forma de violência, buscam lutar pelo justo e que “nenhuma historieta espiritual” rebata a ciência, entre outras coisas. A impressão é que seu lema deveria ser: “A ironia acima de tudo e de todos”.

Fonte: CGNews

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