Igrejas não apoiam os músicos e música entra em decadência

A margem do evento de apresentação pública dos músicos da sua produtora, o responsável da Massimo Som, manifestou o seu desapontamento pelo facto de as igrejas precisarem dos músicos, mas não os apoiarem e considerou mesmo como um entrave ao desenvolvimento da música gospel. 

Ambrosio Lemos

Ambrosio Lemos considera que falta de apoio das igrejas, constitui entrave ao desenvolvimento da música

“Vou dar um exemplo, o músico é convidado para cantar no Kilamba (centralidade) e tem que ir com a sua banda. Nós criamos esta estrutura e inclui o transporte. Chegando lá, a igreja dá como apoio para transporte 500 kwanzas. Vamos imaginar uma banda de 8 pessoas, o próprio cantor, nem uma água para beber. São n situações que vivemos com as igrejas, que as vezes, desistimos dos convites, desistimos das agendas porque não temos condições de responder.” Por esta razão, Ambrosio Lemos, deplorou as críticas que as vezes são feitas aos músicos e as produtoras. “Quando o cantor se apresenta de forma, vamos dizer assim, pouco profissional, pouco aceitável, vêm as críticas: mas é agenciado porquê que não tem banda, porquê que vestiu assim, estava com o cabelo assim, mas as igrejas não apoiam.”

Referiu também, que nesta fase da gravação dos discos dos agenciados pela sua produtora, tem andado em várias igrejas a procura de apoios e “raramente as igrejas respondem”. Pub 622x90

Chamado a comentar as declarações de Ambrosio Lemos, o músico Armando Zibungana “dividiu as culpas” entre a igreja e os músicos, e afirmou que “a música cristã está em crise, mas em crise por uma questão de falta de visão da própria igreja.” Para ele, “se a igreja tivesse o nível de organização desejável, não existiriam muitos músicos fora da igreja”.

“A liderança da igreja, e falo da igreja como corpo de Cristo em Angola, não presta atenção devida a música. A música dentro das igrejas está em decadência. Decadência quanto ao repertório, se olharmos para o que se toca e o que se canta dentro das igrejas, vamos dar conta que o repertório é de 20 ou 30 anos atrás. Não se está a primar pela evolução.” Reclamou.

Questionado sobre o que os músicos podem fazer para reverter essa situação, Zibungana que também é professor de música, sem rodeios respondeu: “Primeiro sendo sérios com a classe”.

Para o professor, se o artista apresentar um bom trabalho, se apresentar seriedade no trabalho que faz, “pode atrair melhores olhares”. 

“Se eu for constante como cristão, se eu souber me posicionar como crente e através da música, for capaz de tocar vidas, creio que ali haverá mais vontade em se investir seriamente na música.” Exortou. 

Armando Zibungana, no momento em que orava para abertura do evento de apresentação dos músicos da Massimo Som (Foto de Jaime Chiquito)

Armando Zibungana, no momento em que orava para abertura do evento de apresentação dos músicos da Massimo Som (Foto de Jaime Chiquito)

O professor acredita que, se a liderança dentro da igreja vê que os músicos não são sérios, não vai apoiar. E lembrou que o apoio não é só na perspectiva espiritual. “Começa no espiritual e passa necessariamente pela parte técnica e financeira”.

Solicitado a diagnosticar o estado da música gospel em Angola, retirou a sua tese de que a música está em decadência. “Como crente, eu diria que é falta de oração. Sei que essa afirmação pode ser mal interpretada, mas quando somos inspirados pelo Espírito Santo, estou seguríssimo que Ele dá plenitude na música.”

“A música de forma geral está em decadência.” Isso, explicou, “não é só ao nível da música cristã, mesmo ao nível da música secular. É um período de baixa motivação, um período onde as pessoas estão a ler muito pouco, parecendo que não, estão a se informar muito pouco. Essa crise está a entrar na igreja, mas pode se reverter com dedicação na Palavra de Deus. Se pararmos e perguntarmos quantos músicos se dedicam a fundo no conceito do Deus que adoram, vamos ficar impactos.”

Zibungana, afirmou que os hinários devem servir de referência para os músicos dos nossos dias. “Vamos olhar para os hinários! Se olharmos para a história do hinos, se olharmos para o conteúdos que os hinos têm, vamos ter respostas de como é que os escritores desses hinos foram inspirados. Hinos de 2,3 versos, hinos que têm doutrina, hinos que têm Palavra, têm instrução, têm Deus. Muitas vezes o que nos acontece é isso: por falta de bebermos da fonte, estamos a dar conteúdo aguado para a igreja.”

O músico e professor, aproveitou a ocasião para dizer que a Massimo Som, acaba de dar um passo em prol da qualidade que deve haver na música cristã. “Quando nos organizamos somos mais fortes” Rematou.

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