Falta qualidade e rigor nos eventos gospel

A produção de eventos cristãos esteve em análise no último domingo, 29 de setembro, no Praiseart (pátio da Universidade Metodista de Angola), naquele que foi o penúltimo de quatro debates que o Praiseart e o Portal Arautos da Fé realizam desde 1 de setembro.

Michelino Ngombo, Armando Zibungana, Rev. Ovídio de Freitas e Manuel Fiel, foram convidados do debate que teve moderação de Francisco Gonçalves "Charro".

Michelino Ngombo, Armando Zibungana, Rev. Ovídio de Freitas e Manuel Fiel, foram convidados do debate que teve moderação de Francisco Gonçalves “Charro”.

Organização, capacidade técnica, financeira, formação, cachês e outros aspectos, mereceram comentários dos 4 convidados ao debate. 

Justificando a “reclamada” falta de qualidade em muitos eventos gospel, Manuel Fiel da produtora Monumental Gospel, disse durante o debate, que faltam patrocinadores para melhorar a actividade das produtoras, mas que, os patrocínios não aparecem por falta de credibilidade no trabalho das mesmas. Os empresários, frisou, ainda não acreditam na indústria gospel. 

Muitas produtoras, afirmou, fazem os eventos fora das igrejas, da mesma forma como os fazem nas igrejas, sem o rigor e a qualidade técnica recomendada, o que impacta na sua rentabilização.

O público que frequenta alguns eventos seculares e que chega a pagar até 20 mil kwanzas pelo ingresso, é o mesmo que no gospel reluta em pagar mil ou dois mil kwanzas, “porque não apresenta a qualidade e rigor”, apontou.

A Monumental Gospel, revelou, tem recebido solicitações “de músicos de fora” que querem actuar em Luanda, mas quando se lhes fala dos cachês desistem, “porque os bilhetes não vão além de 2 mil kwanzas”.

Manuel Fiel, associou os atrasos de alguns eventos a falta de dinheiro para pagar os prestadores de serviços, incluindo os músicos, que muitas vezes são convidados a fazer em nome de Jesus, por um preço “muito baixo”.

“Se o músico for pago vai ser responsável, vai chegar cedo”, assegurou.

Respondendo a uma questão do moderador do debate, Francisco Gonçalves “Charro”, sobre as razões que levam as produtoras a pagar uns e não outros artistas, o produtor Michelino Ngombo, explicou que isso acontece em todo mundo. Quando o artista é novo e ainda não tem espaço no mercado, é vantajoso para ele se apresentar diante de um grande público mesmo sem remuneração. Mas no caso de haver um acordo remuneratório, a produtora deve ser obrigada a pagar o artista. 

Abordando a capacidade técnica e humana das produtoras, Michelino Ngombo, disse que muitas vezes, as pessoas que se levantam para fazer eventos não estão capacitadas para tal e não têm os meios suficientes, têm sim, é motivação fazer. 

Para fazer um evento, sublinhou, o produtor tem de ter a certeza de que as condições estão criadas para apresentar o que está a anunciar. “Se não tenho condições de ir ao Atlântico, vou o uma sala menor, que custe menos de som, menos de logística”, alertou, acrescentando que muita gente, “para ter fama de que fez o concerto no sítio X ou no Y, arrisca e no final surgem estes problemas, má qualidade sonora e tudo mais”.

Sobre a formação, defendeu ser necessário que cantores e empresas apostem na formação para melhorar o seu trabalho. “Graças a Deus há ferramentas, há seminários, cursos que ajudam.”

Ao intervir, o músico Armando Zibungana, classificou como “problema muito sério” a produção dos eventos, alguns, exemplificou, com duas horas (anunciadas) de duração, mas com 15 ou 30 músicos convidados.

O professor, apontou os pontos que considera essenciais para a produção de um evento de música. Equipa multidisciplinar que incluí o protocolo, direcção artística e direcção musical. Estas últimas, em Angola têm sido muito confundidas, observou.

Equipamentos, não necessariamente de ponta, mas que tragam qualidade sonora, programação bem elaborada e repertório. Quanto ao local, disse que pode ser fora ou mesmo dentro de uma igreja se estiver equipada, o que reduz também o custo. 

A Europa e os Estados Unidos se desenvolveram quando começaram a debater, sublinhou, ao enfatizar a necessidade de se continuar a falar do assunto.

De acordo com o Reverendo Ovídio Freitas, não se pode comparar um evento seja ele de que natureza for com o culto, que independentemente de ter instrumentos ou não, das condições, tem sempre qualidade. 

O culto, referiu, é para honra e glória do nome do Senhor e não acontece por vontade humana. Já os concertos, que são realizados por vontade expressa do homem, devem ter como critério a qualidade. 

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