“Parece que hoje estamos a criar estrelas musicais”

Seu rosto é muito conhecido, sua voz inconfundível. O que grande parte das pessoas não sabe, é que além de estar na música e no jornalismo, dedica-se a pastorear o rebanho do Senhor.

Sua graça, Mário Jorge Abreu João dos Santos, Mário Santos como é mais conhecido, nasceu na Marimba, em Malange. É casado e pai de 9 filhos, dos quais 7 biológicos. É avó e expressa a sua alegria por recentemente receber mais um neto.

Aos 50 anos de idade, o Pastor, jornalista e músico, revela-se um profundo conhecedor da história e dos bastidores da música cristã em Angola.

Idealizador e primeiro presidente da ASSO – MÚSICA – Associação dos Artistas Cristãos de Angola, concedeu uma entrevista exclusiva ao portal Arautos da Fé, conduzida pelo jornalista Gil Lucamba. Manifestou desapontamento com o estado da música, denunciou músicos que usam a música cristã para outros propósitos e responsabilizou a Associação que ajudou a fundar, por achar que deveria fazer mais pela música.

O Pastor recebeu-nos no seu local de serviço para  para falar de uma das suas "paixões", a música.

O Pastor recebeu-nos no seu local de serviço para para falar de uma das suas “paixões”, a música.

Arautos da Fé: Quando é que começa o seu envolvimento com a música?

Mário Santos: Olha, eu nasci num ambiente cristão e ligado a música. O meu pai foi Reverendo da Igreja Metodista e a minha mãe cantou no grupo coral. O meu avô foi Pastor e a minha avó, também cantou no grupo coral. Desde pequeno que comecei por ouvir… Tínhamos lá em casa o povo cantai porque éramos uma família Metodista. O meu pai era Reverendo da Igreja Metodista em Malange.

Cantávamos o povo cantai em casa. Foi a partir daí que nasceu em mim esse sentimento pela música. Muito novo, eu gostava de cantar o hino “Ressurreição”, que muito me tocava. Gostava de cantar “Substituição”. Eram hinos que gostava muito quando criança, fizeram e fazem parte da minha vida.

 

AF: Na Igreja já teve alguma responsabilidade ligada a música?

MS: Na Igreja não. É engraçado que quando saí do movimento Metodista e fui para o Movimento Pentecostal, neste caso na Maná, fui convocado para integrar o grupo de louvor. Mas eu preferia servir. Então, fui para área de assistência, dos obreiros que cuidam da arrumação da sala, para manter inclusive a casa do banho limpa. É a área onde me sinto mais à vontade.

Agora recordei, que em 1990 na Igreja Metodista Redentor, no Prenda, eu era tenor no grupo coral. Lembro-me por exemplo, que estavam comigo na altura, o sociólogo Castro Maria, a família do Miqueias que está na banda Maravilha. Foi uma passagem pelo grupo coral muito curta, de não mais do que dois anos.

Individualmente, sigo esta carreira de músico gospel a muito tempo.

 

AF: Foi isso que lhe levou a pensar numa associação de músicos cristãos?

MS: Provavelmente isso terá ajudado. Em 1995, já na igreja Maná, fui enviado para o Bom Jesus para iniciar um trabalho que depois se tornou uma Igreja. Na altura, 95/96 os transportes eram difíceis, então eu e a minha mulher, por inerência do serviço, íamos assistir a reunião de liderança em Catete e depois vínhamos até ao quilómetro 44. Davam-nos boleia, descíamos aí e íamos a pé até o Bom Jesus. Fazíamos esta distância todas as quartas-feiras que tínhamos reunião de Pastores em Catete.

Um dia, a minha mulher não tinha ido, eu estava com um outro aspirante a Pastor. Estávamos a ser treinados juntos. Ele ficou no Matabuleiro e eu continuei. Mas no percurso, comecei a sentir uma intuição como se fosse uma voz a falar dentro de mim, que eu devia movimentar um grupo de jovens para formar um núcleo interdenominacional de pessoas que se reunissem para falar da Bíblia, para louvar, para adorar. Isso em 95.

Lembro-me inclusive ter escrito essas notas num bloco. Deram-me em visão o que deveria ser feito. Em 96 volto para Luanda, fui enviado para outra área, dentro da Igreja Maná, no bairro Hoje Ya Henda, onde fiquei a ser treinado por outro líder para pastorear igrejas. Fiquei lá durante muito tempo e depois fui com a família para Cabo Verde, como missionário. Mas aquela instrução continuava dentro de mim.

Em 2005, senão estou em erro, eu começo a trabalhar na Rádio Escola. Não havia no país nenhum programa de música evangélica. Falei com a direcção da rádio que queria abrir um programa de música cristã. Eles até acharam absurda a ideia. Eles queriam uma programação muito virada para o entretenimento. Insisti, vamos tentar, vai resultar. Foi assim que o projecto seguiu em frente. Surgiu o programa Harpa.

Recebia no programa, para entrevistas, vários músicos e bandas. Um dia ouvi na rádio Ecclésia, uma música que pertencia ao grupo Candelabro que colaborava com o Paulo Paz. Interessei-me. Trouxe para o programa a música. Toquei muitas vezes e como já o conhecia o Paulo, antes de assumir essa responsabilidade ao nível do programa Harpa, ele ainda estava ligado a música secular, ele apareceu, elogiei a música e de repente vem-me novamente a ideia de criar esse núcleo.

Mário Santos  é fundador da Associação dos Artistas Cristãos de Angola.

Mário Santos é fundador da Associação dos Artistas Cristãos de Angola.

Como não havia uma concentração de músicos cristãos, lancei o desafio, pedi que ele me apresentasse outros músicos. Trouxe consigo os integrantes do Candelabro, trouxe também os integrantes do grupo onde estava o Michelino Ngombo, a Banda TDC. Eles tinham uma música que tocava muito no meu programa. Fiz com que ele trouxesse, para um encontro num determinado Domingo, o maior número de músicos. Aquilo resultou. Nós quase que enchemos o quintal do CEFOJOR. E convoquei os músicos, disse que era altura de haver uma união dos músicos, tornar essa união numa associação. Porque um movimento interdenominacional que não fosse no formato de uma associação, não haveria de resultar. Não podia ser uma editora porque exigia recursos muito altos. Não podia ser apenas um movimento porque eu não estava interessado em criar um movimento. Cada um tinha a sua congregação, a sua fé. Eu queria congrega-los num pensamento que ajudasse a música cristã. E então lancei o desafio da associação.

Comecei com esse projecto, depois apareceram outros integrantes. Começamos a estruturar os estatutos. E, foi assim que depois de quase um ano, fizemos a nossa primeira assembleia geral, com a eleição dos corpos sociais, onde eu fui unanimemente eleito presidente da associação, o Paulo Paz, vice-presidente, o Jorge Dalas, como secretário-geral e começou assim a associação.

Começamos com vários encontros. Encontros nacionais, depois recebemos a instrução de Deus para estendermos a Associação pelo país. Na graça do Espírito Santo, orientados por Jesus Cristo, estendemos Associação por algumas províncias do país.

E depois fizemos o andamento do processo junto das autoridades angolanas para legalizar associação. A Associação foi então oficialmente reconhecida pelo governo angolano. Mas porque estava acabar de chegar de fora, não tinha casa própria, trazia comigo uma família, a Rádio Escola onde eu estava vinculado não tinha resolvido o problema dos meus salários. Eu tinha de assentar a família. É assim que faço uma procuração onde delego competências ao Paulo Paz para responder nas ausências do Presidente. Assim foi até a altura em que tivemos de reformular a própria Associação. Mas durante esse período ele teve mais ligado à Associação do que eu e tem feito um excelente trabalho, de facto.

 

AF: Está satisfeito com o trabalho e acha que Associação representa hoje aquela visão que teve?

MS: Eu penso que hoje já deveríamos estar muito melhor. Mas sei que situações externas à própria Associação fizeram com que toda obra… Toda obra que é feita em nome de Cristo, tem sempre essas dificuldades. E a Associação, passou por momentos muito tristes que eu nunca pensei que fosse acontecer. Ouve uma digladiação dentro da própria Associação entre os membros. Uma coisa que nós deveríamos ter evitado. O conflito foi parar até nas redes sociais, uma coisa que envergonhou a própria Associação e limitou o seu processo de crescimento. E aí onde há conflito, onde a discussão, não habita o Espírito de Deus. A Associação cresceu pouco. Deveria crescer muito mais. Deveria se sentir muito mais o efeito dela.

Mas quem faz as associações são os homens, quem faz as igrejas são homens e não é fácil liderar um movimento como uma associação, onde as pessoas pensam por elas mesmas.

E se estivéssemos muito melhor, talvez eu me sentiria muito mais satisfeito. Nessa altura já deveríamos estar a sentir os efeitos da própria Associação com concertos, actividades como tarde de louvor e adoração um pouco pelo país. Porque não, era meu sonho, encher o 11 de Novembro com o povo a louvar, as bandas a sucederem-se umas atrás das outras.

Mas eu tenho fé, as coisas de Deus são inalteráveis. E eu sempre disse isso aos membros, mesmo aos do Conselho de Direcção, aquilo que nós não fizermos, o Espírito Santo de Deus vai fazer. Se ele tiver de afastar algumas pessoas, vai afasta-las, mas a obra vai ser cumprida.

 

AF: Como é que avalia a música gospel feita hoje, aqui já aproveitando comparar com aquela que era feita no período em que vocês pensaram na associação?

MS: Não sei se na altura eu percebia bem intenção de alguns músicos que estiveram presentes naquela reunião. Hoje, consigo perceber que muitos deles tinham um objectivo, não era Louvar a Deus. Mas provavelmente, atingir fins pessoais, quer fossem financeiros ou mesmo satisfação social com títulos. E isso, entristece o Espírito Santo.

Mas eu notava do início que, 70% dos músicos que estiveram naquele período da formação da Associação, se entregou com esse propósito de levar o povo de Angola a adorar a Deus. Se eu lhe perguntar agora: o povo de Angola adora a Deus? Não. De quem é a culpa? Dos cantores que perderam o foco.

 Fazem uma música que se vende, não tenho nada contra isso, mas qual é o objectivo final? O objectivo é elevar o nome de Deus, fazer com que esta nação adore a Deus ou criarmos estrelas musicais? Parece que hoje estamos a criar estrelas musicais. Estamos a criar sucessos musicais, estamos a criar artistas que se estão a tornar referências da socialite angolana.

Estamos a imitar um bocadinho Brasil. E o gospel no Brasil, ficou ofuscado por causa disso. Hoje por exemplo, se ouves uma música gospel do Brasil, estou a fazer apenas uma comparação, e se recuares 20 anos, vais notar que o gospel que se faz não tem unção.

Hoje há muito cuidado com a estética da música. Estamos a evoluir, os estúdios são muito melhores, capta-se melhor, estão a escrever muito melhor, estão a cantar muito melhor, mas tiraram o sentimento. O que é mais importante.

Provavelmente isso estará ligado ao foco. Qual é o foco central? Está-se a cantar para quê? Qual é o objectivo do louvor? Se o artista gospel, cantor cristão não perceber porquê que está na música cristã, é óbvio que ele vai ser igual a um outro cantor qualquer. Não me estou a referir a qualidade do trabalho, é importante que seja igual ou melhor. Eu por exemplo, não sou apologista da ideia de que o cantor cristão só pode cantar música calma. A Bíblia não define que tipo de música devemos cantar. Não define estilos. Se tem que ser rock ou pop, não define.

Não sou apologistas da ideia de que há músicas que o diabo criou. Já ouvi muito Cristão a dizer que o diabo criou. O diabo não tem capacidade para criar absolutamente nada. Tudo que está na face da terra, a Bíblia diz isso, foi criado por Deus. Então, se vai cantar no estilo zouk, pop, funk, kembo, seja lá o que for, qual é o objectivo? O que é que lhe estimula a cantar? Se não perceber, vai pensar que está a cantar porque tem que vender discos, está a cantar porque tem que aparecer um videoclipe bom e perde o foco.

 

AF: Algumas pessoas apontam o dedo às igrejas e dizem que estas nada fazem para ajudar os músicos.

MS: Não acredito (2X). Não é de responsabilidade da Igreja moldar um cantor. O cantor tem uma responsabilidade, dentro do Evangelho, semelhante a do Pastor. São equiparados. Não vale a pena pensarmos que o cantor tem responsabilidades menos acrescida do que o Pastor. É um erro gravíssimo.

O cantor tem a mesma obrigação, as mesmas responsabilidades que tem o Pastor. De levar o rebanho a presença de Deus. Senão é Igreja que molda o discurso do Pastor, porquê que a igreja há de moldar a música do cantor? Aliás, seria um erro grave.

Quem está na música deve ser amigo do Espírito Santo para receber as instruções. A própria Bíblia diz, quem não tem sabedoria, peça a Deus. Porque do alto só vem coisas boas.

O que está a acontecer de fato, é que muitos que estão ligados a música cristã, não perceberam ainda qual é a responsabilidade que têm. Ele pensa que é apenas um cantor, como o cantor secular. Ele pensa que vai fazer uma música para tocar na Discoteca e se não toca na discoteca não se sente bem, não se sente realizado.

Se a música não tocar numa estação de rádio, ele não se sente realizado. Tem que tocar na televisão para que ele se sinta realizado. Logo, ele não sabe o que está a fazer na música gospel ou na música cristã. Não sabe.

Pastor exortou os músicos a não correrem atrás de bens materiais.

Pastor exortou os músicos a não correrem atrás de bens materiais.

AF: Há aqui um fenómeno, já aconteceu em países como Brasil e Estados Unidos. Promotores de música secular, agora estão também “de olho” na música gospel. Acha que isso é um perigo?

MS: É! É um perigo.

Isto tem duas leituras. Primeiro: revela que… Deixe-me só lhe dar alguns números. 70% da população angolana é cristã. Destes, 40 são católicos. Estou a falar de 70 no compto de 100. 20% que acreditam em outras coisas e 10% que se diz ateia. Dos 70%, talvez 13% são empresários, estão financeiramente bem, tem grandes projectos. E muitos destes, se não são cristãos praticantes, fervorosos, no mínimo uma outra vez já estiveram na igreja, ouvem louvores, gostam de louvores e sentem-se bem quando a família vai a igreja. Porquê que não investem na música cristã? Eis a questão. Não investem, portanto, estou a olhar para um dos motivos. Provavelmente, porque eles ainda não sentiram que a música cristã tem a responsabilidade, que tem por exemplo, a pregação ou não foram movidos pelo Espírito de Deus para porem as mãos na música cristã.

A outra leitura que faço, é que com este aproveitamento, os investidores seculares, entram na música, retiram as vantagens que a música tem e fazem uma viagem inversa. Tiram o dinheiro da igreja para fora, quando deveriam ser os empresários cristãos, que deveriam investir na música na música para tirar o dinheiro está nas mãos dos impios e colocar na igreja. Isso não se faz. E então, esses empresários seculares, encontraram terreno fértil para trabalhar. Isso acontece em Angola, acontece em qualquer parte do mundo, porque os empresários cristãos não investem na música cristã. E ali sim, ali é que eu digo que a responsabilidade é da Igreja. Porque, os Pastores, incentivam os empresários a colocar dinheiro no balaio, uma coisa positiva, falam dos dízimos, das ofertas, dos propósitos financeiro que devem investir na igreja, mas poucos deles, movem os empresários cristãos para investirem na música cristã.

Provavelmente estará a faltar isso que eu disse. Os músicos também não sabem o que estão a fazer e isso coíbe os investidores ou os Pastores de motivarem os investidores a colocarem dinheiro na música. Eu sei que há alguns cantores cristãos que abandonaram a música. Uns agora são Pastores, não querem mais cantar, por causa disso. Está a ficar muito perigoso, quando tu dentro da igreja não tens o apoio financeiro que deverias ter, está a vir de fora… O investimento que vem de fora, é óbvio que vai ser com base na lógica que ele tem. Ele vai formatar o projecto dele, conforme formata o projecto secular. Ele não vai formatar o projecto dele porque quer evangelizar. Não. Ele nem se quer sabe, que a tua música tem este pendor, de evangelização. Então ele vai por dinheiro nas mãos do músico para fazer o que ele quer. Porque ele acha pode abrir dentro da sua editora, uma secção que vai tratar da música gospel ou da música cristã.

 

AF: Junto a essa situação, mais duas. A primeira e há muitas reclamações a respeito disso. Músicos que cobram para cantar na igreja. A outra, músicos que estão a fazer duetos com músicos seculares, para cantarem músicas cristãs. Questiono: Como reverter isso este quadro?

MS: Primeiro, qual é o propósito dele cobrar quando é convidado para cantar num culto? Ele tem de explicar se isso tem cobertura bíblica. Se não tem cobertura bíblica é um acto humano, carnal e diabólico.

Sei que a Bíblia defende que digno é o obreiro do seu salário. Mas para isso, ele vai vender os seus discos nos lugares preparados para vender.

São as casa de vendas de discos. Existem. Ou então, que ele faça um concerto e cobre as entradas. Agora, se ele é convidado para cantar num culto e cobra, não sei qual é a cobertura bíblica que tem, esse é um comportamento ofensivo e a todos os níveis reprovável. Imagina que toda a gente ande a cobrar para participar no serviço sacerdotal!

Relativamente aos duetos que fazem com os músicos seculares, eu sou mais apologistas da ideia de que o músico cristão é que deve ser convidado para cantar com o músico secular. Aí eu concordo. Porquê? Jesus alguma vez se furtou de conviver com os publicanos e gentios? Nunca. Nunca fugiu essa responsabilidade de ir juntar-se aos gentios e publicanos para levar a Palavra. O que eu acho que não está certo, é chamar um cantor secular para cantar louvor a Deus. Mas também, é só uma questão moral. É uma questão ética. Não é nada na Bíblia que proíbe isso. A Bíblia diz toda alma louve ao Senhor de coração limpo.

As vezes dizemos assim: ah não, mas ele não está salvo, como é que uma boca que não está salva vai louvar a Deus? Eu pergunto: como é que um cantor cristão está em pecado louva a Deus? Adulterou, mentiu. Não vamos pensar que toda gente que está na música cristã, está bem com Deus. Nós sabemos de casos de cantores que vivem uma vida dissoluta. Uma vida de adultério, uma vida de adultério assumido. Mas ele diz que está a louvar a Deus.

 

AF: Um cantor cristão pode cantar em qualquer lugar?

MS: Não. Não porque não é ético. É a mesma coisa, se eu estivesse a ver por exemplo, uma cantora cristã andar de colã na rua, a mostrar as linhas do corpo. Não é ético. Se eu estivesse a ver, por exemplo, um cantor cristão a andar com uma calça rota na coxa. Não é ético.

Ou se tivesse a ver um cantor cristão a andar com piercing no nariz, com tatuagens. Não ético.

Se não ético desta forma, eu não concordo por exemplo, que um cantor cristão cante num bar. Não é ético. Por mais que ele me tente convencer, não concordo. Ele pode dizer mas Jesus andou… Não. Jesus, se comeu com os gentios e publicanos, Ele foi com um propósito: evangelizar. Quando vou cantar num bar, vou com o propósito de evangelizar ou porque tenho um contrato e vão me pagar? Eu concordo com o facto de ires contactar um bar e dizer eu quero evangelizar amanhã. Quero pregar a Palavra aqui. É outra coisa. Jesus não ia cantar música com os publicanos e gentios. Ia pregar a Palavra.

Se o propósito é mesmo de evangelizar, podes ir até a casa onde se praticam todas as sevicias, podes ir a um cabaré. Se o objectivo é evangelizar. Mas não pode misturar as duas coisas. Porque Deus não se deixa enganar.

 

AF: Para terminarmos, que conselho deixa para os adoradores.

MS: Primeiro tenta perceber se tens chamado para ser adorador. Estou a falar do Adorador, aquele que tem chamado para levar o povo a presença de Deus. Aquele que fica no altar. Muitos deles também fazem disco, mas pronto… Esses é que têm uma responsabilidade maior dentro do movimento musical. Não se chega ao nível de Adorador por uma questão de iniciativa pessoal, não se chega a condição de adorador porque eu quero ser adorador. Não. O adorador é chamado por Deus para ser. E este tem a sua vida no altar. E deixa-me dizer-te, existem poucos adoradores na face da terra. São poucos. Dos que eu conheço se destaca o rei Davi por exemplo.

O adorador nem está preocupado se vai ou não gravar disco. Não está preocupado, porque o objectivo dele não é aparecer na televisão. O objectivo dele é levar o povo a presença de Deus. Essa é uma grande responsabilidade. O Adorador é usado para curar com a sua voz. Quando canta há libertação, há transformação.

Àqueles que por iniciativa própria cantam ou porque Deus lhes convocou, eu quero deixar aqui uma exortação: não corram atrás de bens materiais. Não corram. Arranje um emprego. Trabalhe para sustentar a família e faz até música para distribuir, gasta do seu dinheiro, distribui a música. Ofereça. A música não deve servir para ir buscar ganhos materiais.

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