“É uma vergonha muito grande as pessoas perceberem que não há união ou que não há maior organização”

2019 Será um ano de muitas novidades, pelo menos para o rapper MC4 que prevê apresentar o seu primeiro CD, que trará a participação de alguns músicos “conhecidos no mercado”e a migração da Tv Jesus, actualmente na internet, para um canal de Tv aberto.

Já está tudo ok, tudo pronto em 2019 teremos o canal aberto da TV Jesus.” Revelou em exclusivo, durante uma entrevista ao portal Arautos da Fé, em que abordou também a participação de músicos seculares nas obras discográficas de músicos gospel, organização do mercado da música gospel e a intervenção da Asso-Música, a quem pediu maior dinamismo para que os músicos e realizadores de eventos sintam a sua actuação.

MC4, músico e fundador da Tv Jesus

MC4, músico e fundador da Tv Jesus

Arautos da Fé: Quem é o MC4?
MC4: É um jovem de Benguela, seu nome de registo é Casimiro Joaquim Mundique. Venho há muito tempo a trabalhar na música. Anteriormente, fazia música secular, pertencia a um grupo denominado Filhos do Homem, em Benguela, na altura eu também não era convertido.
A procura de melhores condições de vida venho à Luanda, na intenção de ser alguém na música. Na altura já éramos um grupo conceituado em Benguela, apadrinhados pelo Nino Republicano que agora é da LS Republicano. Ao chegar em Luanda, aquela luta, muitos grupos foram desistindo, alguns foram para os maus caminhos, foram retrocedendo, foram recuando pelas dificuldades da vida.  Assim eu também, pelas dificuldades que fui passando aqui em Luanda e pela visão de Deus que me foi concedida, comecei a frequentar a Igreja. O tempo foi passando e fui me dedicando mais a Igreja e foi crescendo o desejo de ganhar almas.

Fui baptizado e a vontade de ganhar almas foi falando mais alto na minha vida e vi que fazer música secular
estava a atrapalhar a minha vida espiritual. Tomei uma decisão, deixei e optei por continuar cantando música gospel no estilo Rap. O nome MC4 só permaneceu porque usei como forma de ganhar almas. Naquela altura, muita gente tinha aquela tendência de ouvir o que é que ele trás, então poderiam ouvir uma mensagem evangélica. Se noutrora era Mestre de Cerimónia, passou para Mensageiro de Cristo. O 4 está aí para identificar aquela maneira que é do Rap e para despertar também o povo angolano, o povo que gosta de música secular no sentido querer ouvir.

AF: Houve alguma pessoa em particular que o influenciou muito para que começasse a fazer Rap gospel?
MC4: Teve, mas não é angolano. Comecei a frequentar a Igreja, devido a algumas dificuldades porque eu era viciado. Até agora tenho na minha mente o irmão Lázaro. Estava a passar por um momento de transição espiritual, ouvia muita música brasileira e ouvia o irmão Lázaro. Há uma das músicas dele em que conta o seu testemunho, pertencia a uma banda de música secular e teve de abandonar tudo e fazer o gospel.

AF: O Rap foi sempre a sua inclinação?
MC4: Foi sempre a minha inclinação. Desde os meus 8 ou 10 anos ouvia música secular e era muito Rap. Ouvia Boss Ac, Black Company, depois veio SSP. Cresci nesse ambiente.

AF: No Rap gospel quais foram as suas principais influências?
MC4: Só fiquei a saber que existiam músicos a fazer Rap gospel, quando já tinha músicas gravadas e já estava a participar em actividades. Foi ali que comecei a conhecer os irmãos que fazem Rap gospel. Me lembro na altura de
uma música que bateu muito do Action Nigga e do Punidor “Lembra o que Ele disse”, que falava da existência, da criação. Quando comecei, me falaram esse estilo não vão te deixar cantar na Igreja. Eu ouvia mais música de fora e via vertentes. Se tem rock que é uma coisa mais barulhenta estão a implementar no gospel, o rap até é uma batida que muita gente gosta de tentar abanar a cabeça e sentir.

Não tive uma grande influência dos músicos que cantavam rap gospel, mas sim houve é testemunho de pessoas que não fazem gospel e que abandonaram (a música secular) para fazer música gospel.

AF: Quando é que começa a desenhar projecto para gravação do CD de música
gospel?
MC4: Estava tudo para esse ano, mas eu senti, naquilo que lancei, se não estou em erro lancei o maxi single em 2013, fui fazendo a pesquisa no mercado, o pessoal ainda não me ouviu muito. Ouve necessidade de fazer
promoção do maxi single e ainda estamos nesta campanha de promover e fazer as pessoas escutarem as mensagens que estão aí. Em cada actividade onde vou levo sempre alguns CDs, até mesmo para oferecer. Tenho feito várias campanhas de evangelização onde faço ofertas. Se não estou em erro, em Outubro fizemos uma, saímos às ruas da cidade Luanda e fomos oferecer CDs, convidar as pessoas a seguirem Jesus. Vamos fazer mais em Dezembro deste ano.

Falando do CD propriamente, será no ano 2019. Não temos uma data, as acredito que no princípio já vou começar a gravar umas músicas promocionais.

AF: O projecto deste CD já está todo feito?
MC4: Já tenho músicas alinhadas, tenho o título do mesmo álbum. Só faltam  os ensaios que ainda não começamos, mas já está praticamente preparado. No ano 2019 vamos começar com as músicas promocionais e videoclipe.

AF: Em termos de participações, este CD trará alguns músicos da nossa praça?
MC4: Vai ser um disco que estou a pensar, colocar no mercado, com uma dimensão muito grande. Vejo muitas pessoas a criticarem quando os músicos gospel convidam os seculares para participarem nas suas obras. Mas eu não vejo isso como uma crítica e dizer não porque ele é mundano… Sempre quando convido alguém para fazer parte da minha música, eu normalmente escrevo. Tenho a participação do Miguel Buila na minha música “Não adianta”, escrevi e convidei-o. Ao convidar um irmão eu olho para a evangelização que estou a fazer, tanto para mim tanto para o irmão que estou a convidar. Tenho pessoas que me conhecem, fazem música secular há um bom tempo, conhecidos no mercado, não vou revelar, mas que vão participar. Vai ter também músicos gospel.

AF: Não tem receio que o público venha a criticar, como foi o caso recente do Miguel Buila?
MC4: Todo mundo tem o seu ponto de vista, mas nós como músicos gospel, se não evangelizarmos as pessoas que estão no mundo, vamos evangelizar quem? As nossas músicas não são só para os que estão na igreja ouvirem. A intenção das nossas músicas é tocar naquele que as vezes não vai a igreja. Hoje, estou aqui, sou evangelista, sou músico gospel convertido, anteriormente ouvi músicas seculares. Eu era católico e não ia muito a igreja, ia quando me batia na cabeça. Como católico, não tinha muita habilidade, aquela de ler a Bíblia, mas passei a entender o que a Bíblia diz através das músicas dos irmãos tanto brasileiros como angolanos.

AF: Acha que os músicos seculares podem ajudar a despertar a fé de uma pessoa?
MC4: Deus fala com todo mundo, Deus pode usar um mundano para falar contigo quando você não está a perceber. Deus pode usar aquele mundano e falar: irmão isso aqui é assim. Mas ele nem vai perceber porquê que está a falar isso. Deus pode usar um músicos secular e nos despertar de alguma coisa. Deus pode até usar um mundano, pode usar um maluco, pode usar um qualquer, um zero à esquerda, um bêbado, um feiticeiro. Eu tenho testemunho de pessoas que foram a casa de kimbanda e que o kimbanda de repente falou o
teu lugar não é aqui. Te aconselho: vai para igreja. Mas ele é kimbandeiro, nunca falou com as pessoas que ele atende, mas naquele momento ele olhou para a pessoas e falou.
E nós ao nos juntarmos com essas pessoas a intenção é resgatar porque, ele tem público. Você vai fazer uma mensagem evangélica, uma mensagem para resgatar ele que está no mundo.

AF: Como é que olha para o facto de músicos gospel estarem filiados em produtoras seculares?
MC4: Sei que se falar hoje vou pertencer a LS, hoje mesmo vou entrar porque, o nosso padrinho, e ele me conhece muito bem, o Nino Republicano, é uma grande pessoa e os primeiros dinheiros que comi da música, recebi das
mãos dele. Ele foi a pessoa que sempre nos proporcionou momentos bons.
Quanto a questão, é muito complicada. Mas é assim, quando temos Deus e somos convertidos de verdade, não importa o local onde estivermos, tipo, sei que estou com uma missão nesta produtora, que é de evangelização. Então, tenho de passar o meu testemunho aí, porque eu sei que sou de Deus e estou lá representando Deus e aqueles irmãos que estão aí, tanto o representante da tal produtora tem de ver Deus em mim. A partir dali, mostrar Deus naquele local pertencente aquela produtora mundana. Se eu mostrar a minha reverência não haverá muito escândalo. Quando há muita gente a apontar o dedo, quando há muita gente a falar é porque a coisa não
está boa. É porque o próprio músico que está naquela produtora não está bem.

AF: Temos mercado para o Rap gospel?
MC4: Temos mercado. Mas as pessoas têm de perceber que fizemos uma música de Deus e que de certa forma não tem agradado muitos. Nós como rappers gospel estamos no mesmo nível que um que faz um louvor.
Há que trabalhar sério na questão de promoção. Vejo que naquela altura com os Lírios dos Vales, faziam-se uns encontros, pregava-se e nós como músicos temos que sair para a rua.
Há mais intenção de colher alguma coisa, de ter algum dinheiro. Mas na música gospel, se você tiver só essa visão de querer ter algum valor, a coisa também não vai, porque a tua intenção só vai ser no dinheiro. Mas se a tua maior intenção for espalhar o Evangelho de formas a divulgar também a própria existência do Rap gospel aí a coisa acontece.
Precisa-se fazer concertos abertos. Vi a pouco tempo, vocês publicaram o que fez o Rui Last Man, tá bom ter um sítio onde os rappers gospel vão se encontrar, mas eu estou na visão de rua. Temos de estar dentro e temos de estar na rua. Por isso é que na minha TV, tenho um programa de rua, nos largos. É ali onde as pessoas vão, é ali onde tudo acontece. É ali onde as pessoas vão ser atraídas para ver o movimento.

AF: Falta união no meio dos rappers?
MC4: Não é questão de união. A questão é que eu me dou bem com aquele, depois é esse elenco que se junta e vão fazendo projectos. O que aconselho é a saída desse vínculo no rap e nas outras músicas de louvor.

AF: Já pensou em alguma iniciativa para juntar os músicos?
MC4: Nós, e falo como director da Tv Jesus, a nossa intenção é dar abertura a todos os músicos gospel. Não temos um elenco fechado, somos de todos os elencos. A TV Jesus é um desses projectos para divulgar a música gospel.

AF: O que deve ser feito para a organizar o mercado da música gospel?
MC4: Há uma desorganização por parte dos músicos. Acho que os músicos gospel precisam ser mais organizados. Os músicos gospel não estão organizados porque estão misturados. Há aqueles que servem de facto e de verdade, que são de Deus, aquele que são convertidos e aqueles que não são. Aí é onde parte a desorganização. Não vai se inscrever na associação… Já aquele músico que tem uma visão espiritual mais aberta, que é convertido, sabe que precisa estar organizado.

Para ter maior organização na música gospel eu aconselho ainda que é necessário ouvirmos a Asso-Música. Temos
que ouvir, se tem alguém que nos representa, se tem alguém que nos quer orientar, que nos quer dirigir. Aliás, não é alguém que quer ficar aí para toda vida, esse espaço para todo mundo. Todo mundo um dia pode ficar no lugar do Paulo Paz, mas precisa estar aí alguém que Deus usou para fazer caminhar, mas amanhã não será mais essa pessoa a estar aí. Até músicos seculares notam essa desorganização na música gospel. Digo que é uma vergonha muito grande as pessoas perceberem que não há união ou que não há maior organização. Mas as pessoas têm que ver, nem todos são de Deus. Só vai haver organização quando os músicos gospel tiverem mais compromisso com Deus.

AF: Não disse no princípio, como surge a TV Jesus?
MC4: Ela surge na intenção de divulgar os músicos gospel. Tudo aquilo na verdade que é cristão, surge a TV Jesus para a divulgação. Aí está a razão que em 2019 teremos um canal aberto da TV Jesus e o pessoal vai pode
acompanhar. Esse será um espaço com todos os músicos gospel e novos programas.
Já está tudo ok, tudo pronto em 2019 teremos o canal aberto da TV Jesus.

AF: Em que ano surgiu a Tv Jesus?
MC4: Estamos a mais de 4 anos no mercado. A Tv Jesus surge em 2013, se não estou em erro, no dia 28 Agosto, que Deus falou comigo da Tv Jesus online.

AF: Como é que olha para o trabalho da Associação dos Músicos Cristãos de Angola?
MC4: Está a trabalhar. Não digo que está parada e não digo que não tem peso. Ela tem peso e está a trabalhar.

A associação precisa fazer a sua devida actuação. Aquilo que é da responsabilidade da Asso-Música, ela tem de começar a trabalhar já. Os músicos gospel, tanto as produtoras gospel, realizadores de eventos gospel, precisam sentir está actuação da Asso-Música.
Nós as vezes ouvimos comentários de certos músicos que Asso-Música não trabalha, tá bom, ele está a falar mas não está inscrito, não está a acompanhar os passos da Asso-Música. Desde que eu fui acompanhando as reuniões, sou membro, vi que ela tem feito um trabalho. Mas sinto que está um pouco lento, ela existe mas está a trabalhar muito lento.

AF: Acha por exemplo, que a associação devia intervir mais na organização de concertos já que vemos uma certa desorganização e provavelmente muitos irmãos que organizam concertos não sabem e nem tratam a documentação que o governo exige para essas questões?
MC4: É por aí. Por isso é que a Asso-Música tem que trabalhar, tem que começar a ficar atenta com tudo que acontece. Não pode acontecer concertos, não pode acontecer coisas ali atoa de gospel e a própria associação não ter esse controlo.
Meu conselho ao presidente, precisa acelerar a actuação. Os músicos gospel, os realizadores de eventos gospel precisam sentir que a Asso-Música está preocupada com a música gospel, com os eventos gospel.
Vamos entrar para o ano 2019, não queremos ver uma Asso-Música lenta.
Queremos ver uma Asso-Música mais acelerada.

AF: Acha que a Associação deveria melhorar a sua parceira com o governo?
MC4: Querendo ou não ela já tem um vínculo com o governo. Acho que não é
isso que falta.

AF: No sentido de defender os músicos gospel e também influenciar o governo na aprovação de determinados projectos para benefício dos artistas gospel.
MC4: Sim é necessário que a associação trabalhe nesse sentido. Por isso é que estou a falar que precisa ser acelerado. Não pode passar um mês sem ouvirmos falar que a associação fez alguma coisa. Todos os
meses são meses de trabalho.
Vi aí quando o João Lourenço foi empossado, houve uma visita da parte dos músicos seculares. Que a Asso-Música, para que o governo veja que a coisa está organizada, que os músicos cristãos estão organizados, estão
legalizados, marque uma audiência com o Presidente. É só escrever, para mostrar as preocupações dos próprios músicos gospel. Nós vimos aqui que estamos em falta de uma fábrica de discos… O governo precisa saber que há
uma preocupação da associação nessa vertente.

AF: O que é que o público pode continuar a esperar do MC4?
MC4: Pode esperar muito. Vai esperar a minha primeira obra que vai estar aí em 2019, pode esperar muito mais porque na parte da TV Jesus algo muito grandioso vai acontecer.

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Gil Lucamba

Jornalista, Gestor de Mídias Sociais. Fundador do portal de notícias Arautos da Fé.

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