Cristãos autênticos teriam maior influência na sociedade

Fenómenos sociais que afectam a sociedade angolana, como corrupção, aborto, prostituição, foram objectos da analise do psicólogo Fernando Kawendimba. Coordenador do Secretariado Nacional da Pastoral Juvenil CEAST, manteve conversa com o repórter Terêncio Chiwale. 

Psicologo clínico Fernando Kawendimba. (Foto: Jaime Chiquito)

Psicologo clínico Fernando Kawendimba. (Foto: Jaime Chiquito)

 

AF: Quais são as causas dos fenómenos sociais que abalam a sociedade?

FK: As causas são diversas, porque, nós temos indivíduos que se inserem num meio e este meio de princípio, é responsável também pela formação da sua própria personalidade. Todos aqueles valores que a sociedade oferecer, poderá influir na personalidade.

Também, os contravalores que dum modo geral, encontra-se numa crise, crise da ordem material, estamos economicamente e financeiramente em crise, muitas vezes, estas questões poderiam sanar as necessidades básicas do indivíduo, e pelo facto de ter esta necessidade e não as poder satisfazer de forma adequada, faz com que haja uma certa inversão de valores.

As pessoas tornam-se cada vez mais materialistas e vão colocar os valores de ordem material abaixo. E ser extremamente materialista, implica negociar aquilo que não é negociável, relativizamos o valor da vida, o amor, o bem ao próximo, princípios que poderiam construir, daí se reflectir dos fenómenos, porque se manifestam que nos vão assolando. Vamos vendo campanhas à favor do aborto, políticos cada vez mais corruptos e a desviar o erário público, assaltos a mão armada, pessoas estão indefesas e vulneráveis, prostituição a proliferar-se cada vez mais, a promiscuidade a tomar corpo quase em todas as instituições, desde a família, locais de trabalho, estes mesmos contravalores, vão reflectir nos fenómenos que nos preocupam, ali à questão do desemprego, quando não há emprego, não existe capacitação de auto sustento, teremos família sem ordem, dando origem a falta de saúde, crianças sem acesso a educação formal.

AF: Como explicar estes fenómenos num país onde mais de 70% da população é cristã?

FK: Em meu entender, boa parte destes 70% que considero que eventualmente sejam 12 milhões de habitantes deste país, se fossem autênticos, poderiam ser uma maior influência para que o quadro não fosse como é agora, mas também, temos aquele cristão que não é autêntico na fé.

Muitos, dizem que são de famílias cristãs, mas a fé não é autêntica, senão, teríamos uma sociedade mais tolerante, mais virtuosa.

Estamos num meio que tudo depende muito da dimensão política. São ateus políticos que elaboram projectos de educação, sistemas de saúde. Portanto, tudo gira em torno dos políticos, as pessoas que mandam, dinamizam e orientam a vida social será que são cristãs? Se formos ao fundo, estes fenómenos corrupção, nepotismo e tantos outros, que ferem a nossa vida política e dando reflexo na nossa vida social, não são de pessoas autenticamente cristãs.

Eu penso que um indivíduo que seja autenticamente cristã, tudo faz para o bem do próximo, do cidadão, para a justiça e paz para todos. Para aqueles que não são políticos, os líderes cristãos, devem repensar a sua acção, a forma de transmissão da fé, devemos se calhar, adoptar uma linguagem que toque os corações das pessoas sem escamotear ou adulterar aquilo do que é a essência do evangelho.

AF: Como solucionar estes fenómenos?

FK: Boa parte dos fenómenos psicossociais e ambientais que nós podemos encarar, não precisariam remédio se fossem prevenidos. A prevenção é muito mais produtiva e assertiva, que o remediar.

Todo o ser humano, age de acordo a sua liberdade, somos livres por termos consciência, entretanto, a liberdade, não é um valor senão se fizer acompanhar com responsabilidade. Todo aquele comportamento que for aquém do padrão exigido, tem que ser punido e não estou a falar na vertente criminal.

Os cristãos podiam envolver-se mais na política e cada um a sua maneira, porque aquele que está na Igreja, é o que ocupa a sociedade aberta. Se os cristãos tivessem coragem em participar também na vida política, poderia influenciar de modo positivo.

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