Abusos sexuais: igreja angolana em silêncio

Um Cardeal Francês, Philippe Barbarin, arcebispo de Lyon, responde desde ontem, segunda-feira, perante o Tribunal Correccional da cidade francesa. 

abuso infantil

Figura importante da Igreja Católica em França, Barbarin é acusado de esconder os abusos sexuais cometidos, há 25 anos, por um padre pedófilo que manteve como responsável por uma paróquia da sua diocese.

Segundo a acusação, os réus teriam conhecimento das agressões sexuais que o padre Bernard Preynat praticou, entre 1970 e 1990. De recordar que, em setembro, o Vaticano rejeitou a comparência perante o tribunal do cardeal espanhol Luis Ladaria Ferrer, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, alegando imunidade diplomática. As vítimas consideram o seu testemunho “crucial”, já que Barbarin o consultou em 2015 sobre o que fazer quanto às queixas de pedofilia.

No Vaticano, o líder da Igreja Católica, disse recentemente que está empenhada no combate ao abuso sexual de menores.

 

“Não posso permanecer em silêncio diante de uma das pragas do nosso tempo, e que, infelizmente, também tem implicado vários membros do clero. O abuso de menores é um dos mais hediondos e vis crimes possíveis”, afirmou o Papa Francisco, durante encontro anual com o corpo diplomático acreditado no Vaticano.

Em resposta a uma convocatória do papa, os presidentes de conferências episcopais de todo o mundo vão reunir-se, no final de fevereiro, numa cimeira sobre “protecção de menores”.

 

Igreja angolana faz silêncio

Em Angola pouco se fala sobre abusos sexuais praticados por líderes religiosos. Há alguns casos recentes de pastores evangélicos, denunciados por familiares das vitimas e condenados pela justiça.

“Provavelmente” não temos em Angola, muitos casos de padres envolvidos em pedofilia com rapazes porque, há factores sociais e culturais “que nos diferem” dos europeus, disse um pastor, que considerou ser mais comum o envolvimento de padres e outros religiosos com “mocinhas”.

“Os padres daqui, alguns têm filhos e os guardam sob a capa de afilhados, têm relacionamentos com senhoras, embora secretos e, alguns são até são polígamos.” Revelou o religioso que falou ao portal sob anonimato. 

Para ele, “o contexto social, cultural e até económico, muito diferente do ocidental, fez com que as famílias não criassem a cultura de denunciar abusos.” A família em Angola, prefere encontrar outras formas de resolução de problemas, que não a exponha muito. “Aqui, o importante é que o acusado se comprometa em assumir os encargos financeiros.”

Sob o envolvimento de pastores em situações de imoralidade, lembrou os casos já reportados pela imprensa e afirmou que as lideranças evangélicas têm dificuldades em gerir estas situações, com medo de “perderem fieis”.

Lembrou que durante muito tempo, a Igreja Católica “também” optou “silenciar” as vitimas e “abafar casos”. Mas essa estratégia veio agudizar a situação “e hoje é visível o estrago.”

Além de abusos à menores, disse ser necessário olhar para casos como o adultério e outras práticas imorais que têm pastores como protagonistas. Nalguns casos pode não haver abuso, pode não haver menores envolvidas, mas há imoralidade. 

“Devíamos tirar lições do que os católicos ocidentais estão a passar e criar coragem para resolver os casos de imoralidade que enfermam a igreja angolana. Abafar não resolve.” Concluiu.   

C/ Euronews

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