A exaltação da criatura I

A ansiedade era grande, pois estava atrasado para a cobertura de um concerto de música gospel. Aguardava apenas, pela chegada do meu colega fotógrafo, num  ponto previamente combinado. Arautos da Fé

Estava ansioso porque na véspera, tive a confirmação de um membro da organização de que o evento estava sendo preparado com empenho e dedicação, para se evitar as falhas que se registam em muitos eventos do gênero e esperava-se, que aquele evento, proporcionasse uma oportunidade para que algumas ovelhas regressassem ao aprisco do Senhor. Nada mais que isso, para me alegrar, pois, desde cedo aprendi que quando um pecador reconhece Jesus Cristo como seu Senhor e salvador, há alegria no céu.

Enquanto esperava, olhava para o cartaz que anunciava vários nomes da música gospel. Mergulhei nos pensamentos, ai como seria bom se todos os músicos se emprenhassem no resgate das ovelhas perdidas. Uma saudação me fez voltar a realidade. Era do fotógrafo, quem aguardava fazia mais de meia hora.

Já no local, fonte da organização me confidenciara que últimos arranjos estavam sendo feitos enquanto se aguardava pela chegada do povo e de alguns convidados.  Cachês previamente negociados com alguns músicos, tinham sido pagos em parte, outras exigências como transporte, para os que não cobram cachês, tinham sido providenciadas.

Palco, som, luzes, decoração, banda. Estava a sala preparada para um grande shows.

O apresentador subiu ao palco. Tinha boa aparência, falava bem. Um detalhe chamou a atenção: exaltava mais a criatura do que o criador. Era apenas início do evento,  falei para mim mesmo como forma de consolo.

Ao palco, subiu o primeiro músico convidado. Desatento, nem percebeu o descuido do apresentador. Só queria ensinar o refrão da sua música.

A actividade prosseguiu, os músicos convidados desfilaram no palco. Levaram ao êxtase o povo, que já os idólatra. Sei que muitos artistas hoje adoram ser adorados, talvez por isso, nem se lembraram de dizer aos idolatras, que apenas um é digno de adoração. Quando se cruzam com um apresentador mundano, que não se cansa de os exaltar, parece que ficam mais felizes.

No final, cansados de tanto pular e gritar para exaltar a criatura, um a um, os  expectadores se retiravam. Tiveram uma tarde super abençoada, como reiteravam.

Foi mais um concerto, mais um dia de diversão, um dia para o homem  mostrar que ele próprio é digno de ser exaltado. Deve ser aplaudido e exaltado pela futilidade das ordenanças que faz para que o soberano Deus, criador de tudo e de todos, as cumpra.

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Gil Lucamba

Jornalista, Gestor de Mídias Sociais. Fundador do portal de notícias Arautos da Fé.

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